sábado, 28 de maio de 2022

Senhor das Moscas, de William Golding

        Terminando o livro Senhor das Moscas, do inglês William Golding, publicado em 1954, muitos pontos podem ser aproveitados para se pensar Sociologia e Filosofia, afinal, esta narrativa fictícia contada por Golding apresenta aspectos sobre a natureza humana e sobre nossa organização em sociedade.

        Senhor das Moscas nos faz pensar nas teorias Contratualistas de Hobbes, Locke e Rousseau, quando os meninos vão se organizando na ilha deserta; nos regimes políticos, como democracia e ditadura; mas, principalmente, na individualidade versus a opressão do grupo sobre os indivíduos; o grupo que cega as ações de seus membros levando a atos como a morte de dois meninos e a perseguição de Ralph; é a possibilidade da reflexão sobre a natureza humana, o que somos nós, enquanto pessoas em nossa individualidade e como membros de uma sociedade.

        Um livro muito instigante e que sua história serve de exemplo para muitos temas de Sociologia e Filosofia.

        Para a questão histórica, o ano de 1954, para os europeus era um recomeço frente a barbárie das duas grandes guerras. E nada melhor para se compreender essa barbárie, lendo Senhor das Moscas.

Capa do livro: Senhor das Moscas, de William Golding
https://www.amazon.com.br/Senhor-das-moscas-William-Golding/dp/8579622875


quinta-feira, 21 de abril de 2022

Joseph Conrad - O coração das trevas e Nostromo

         Ler Joseph Conrad (1857-1924) (Józef Teodor Konrad Korzeniowski), este autor nascido na cidade de Berdychiv do atual país Ucrânia e de pais poloneses, que foi viver na Inglaterra quando jovem, sendo marujo por quase 20 anos, viajando o mundo, nos ajuda a pensar, através de sua literatura, também, sobre o período histórico do final do século XIX e início do século XX da qual o autor estava inserido, além de sua grande sensibilidade sobre a natureza humana e suas reflexões sobre a chamada civilização que se desenvolvia. 

Capa da editora L&PM Pocket, 2018

        Para o caso de "O coração das trevas" (Heart of Darkness), publicado em 1902 (já escrito em 1899), retrata o momento histórico do chamado neocolonialismo europeu, para esse caso, sobre o continente africano. A partir da história contada pelo personagem navegador inglês, chamado Charlie Marlow, que, sem pretensões de ser uma crítica social devido às características do próprio personagem, um homem simples e que estava disposto a enfrentar uma grande aventura que o levou ao "coração da África", mas que, sua observação, sua história sobre essa aventura, se torna relevante sobre como o neocolonialismo na região do rio Congo era cruel, desumano, assim como todo processo de exploração, vendo o "coração das trevas". E, ao mesmo tempo, a percepção de como ingleses ou belgas na região, entre outros europeus (inclusive o próprio personagem Marlow), neste período histórico, viam as culturas africanas e como tratavam mal as pessoas que lá viviam. 
        O leitor de "O coração das trevas" vai percebendo, pela história que Marlow vai relatando, todo um ambiente de trevas, tanto no sentido da natureza selvagem, exuberante e impenetrável (o que nos lembra a própria floresta amazônica), mas também a situação de opressão e exploração dos povos da região, isto tudo pela busca insaciável do "precioso marfim" pelas companhias europeias, entre outras riquezas, da qual o personagem Sr. Kurtz é o representante. 
        Um dos perigos ao ler esse livro é considerar como única a imagem dos povos desta região da África como a descrita por Joseph Conrad, o que se justifica as críticas realizadas por estudos pós-coloniais, iniciadas por Chinua Achebe, a partir de1975. A África é um continente de muitas culturas, de diferentes histórias, enfim, que merecem ser pensadas. Conrad nos traz apenas um pequeníssimo aspecto dessa ampla região.


Capa da editora Record, 1983

        E o romance "Nostromo", publicado em 1904, sobre um fictício país latino-americano denominado de Costaguana, na qual Joseph Conrad descreve sua geografia, sua história política recente, e seus personagens, sendo o principal, Nostromo. Tal romance, entretanto, pode ser visto como preconceituoso aos povos da América do Sul, pela forma como é descrita as instabilidades políticas e a cultura local, como uma região atrasada, imersa na corrupção, e relatados a partir de personagens europeus. Novamente, assim como em "O coração das trevas", são europeus apresentando, a partir de sua visão de mundo, o que se passa em Costaguana.
        Historicamente, Costaguana pode, sim, lembrar as repúblicas latino-americanas em suas reais instabilidades políticas, como o Paraguai, mesmo sem acesso ao mar descrito no romance, ou o Uruguai, mesmo sem uma grande cadeia de montanha, ou outra região rica em prata, como Bolívia ou Peru, ou mesmo o Brasil e suas riquezas minerais. As lutas entre grupos políticos em Costaguana são as lutas políticas históricas destas repúblicas. As constantes ditaduras, geradas por deposição de governos, também ditatoriais, são uma constante.
        Enfim, são os países latino-americanos se estruturando no início do século XX, com suas constantes brigas internas, e ainda, tendo que enfrentar ou conviver, igualmente, já por séculos, com os interesses e a exploração dos europeus e norte-americanos sobre as riquezas desse continente. Por exemplo, a exploração da mina de San Tomé em Costaguana em que toda a prata vai para capitalistas nos Estados Unidos. A mina de prata em Costaguana é o centro do romance, com seu dono (a Concessão Gould), capatazes, padre e os infindáveis e miseráveis trabalhadores, "Josés, Manuéis e Ignacios" (p.100), e envolto em corrupção política local para se conseguir explorar esse minério, que por sua vez, enriquece grandes capitalistas fora de Costaguana.
        Da mesma forma, é interessante observar aspectos como a construção de uma ferrovia em Costaguana, que certamente nos faz pensar, neste período histórico, nas ferrovias construídas por empresas estrangeiras em todo o continente, como a Brazil Railway Company, e a ferrovia Rio Grande do Sul - São Paulo que gerou a guerra do Contestado, em 1912. E as explorações infindáveis das riquezas minerais, como a prata.
        Mas, ao mesmo tempo, o romance pode ser interpretado como uma adaptação do livro "O Príncipe" de Maquiavel, e que, portanto, equivale à política como um todo, não apenas para os países da América Latina, mas para a ação política em geral, com políticos em constantes lutas para conquistar e manter o poder, surgindo ditadores que se dizem democráticos, líderes da "pior espécie" que querem "salvar seu país", enfim, de uma natureza humana egoísta, voltada aos interesses pessoais e às honrarias que o poder traz consigo. Afinal, o que me levou a ler este romance foi a série de TV - Colônia, em que o livro "Nostromo" é citado, provavelmente querendo sugerir que a política que acontece num ambiente distópico nos Estados Unidos, retratado pela série de TV, seria a mesma descrita em Costaguana por Conrad ou em qualquer outro lugar do mundo.

        Algumas momentos do romance: 
        "A Concessão Gould era símbolo de justiça abstrata. Que os céus desabassem. (...) A Concessão Gould era um fator importante nas finanças do país, e, além disso, para os orçamentos privados de muitas autoridades. Era tradicional. Era sabido. Era comentado. Era crível. Todo ministro do Interior recebia um salário da mina de San Tomé" (p. 301).
        Como as palavras tem significados diversos em Costaguana: "Liberdade, democracia, patriotismo, governo... todas elas têm um gosto de loucura e homicídio" (p.305).

Referências
CONRAD, Joseph. O coração das trevas. Joseph Conrad Korzeniowski. Porto Alegre: L&PM, 2018.
CONRAD, Joseph. Nostromo. Tradução de Donaldson M. Garschagen. Introdução e notas de Martin Seymour-Smith. Rio de Janeiro: Editora Record, 1983. Primeira edição, 1904.



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Literatura e Genealogia - O Tempo e o Vento de Erico Verissimo

 




       O romance "O Tempo e o Vento" de Erico Verissimo é uma viagem pela história da família Terra Cambará e ao mesmo tempo pela história do Brasil meridional, da fronteira sul desse enorme país e de suas inúmeras guerras e da cultura local.
        O meu interesse sociológico ao ler este romance era como pensar a história de uma família ao longo dos séculos, tendo como referência, também, a história e a cultura da região ou do país em que a família vive. E Erico Verissimo realiza isso de forma fantástica, através da literatura, com personagens fictícios, mesclando com acontecimentos e personagens reais da história do Brasil.
       E a genealogia é fundamental na construção dessa história, afinal, as gerações vão passando, e a história das famílias vão sendo formadas. Para esse caso, uma família de origem paulista, na qual foi lhe concedida uma sesmaria na província de São Pedro, atual Rio Grande do Sul, e a partir da ocupação dessa sesmaria pela família Terra, toda a história vai se desenvolvendo, tendo como marco as guerras que ocorrem na região sul do Brasil, entre elas, a revolução federalista, de 1893.



        A genealogia da família Terra Cambará ajuda a entender o desenvolvimento do Brasil, a pensar na questão da mobilidade social, como estuda o sociólogo francês Daniel Bertaux.




sábado, 18 de dezembro de 2021

História da Igreja Matriz de São Pedro Apóstolo de Itaperuçu – Paraná - 1958 a 2018: 60 anos de sua nova construção


Por Alessandro Cavassin Alves
Igreja de São Pedro Apóstolo - Itaperuçu - Paraná - 1963


Igreja Matriz de São Pedro Apóstolo - Itaperuçu - Paraná - 2000
Altar e pintura na Igreja Matriz de São Pedro Apóstolo - Itaperuçu - Paraná - 2000

A localidade de Itaperuçu é muito antiga. Há registros de moradores na região desde o século XVIII. Com a formação o surgimento das povoações, as primeiras capelas e igrejas foram sendo levantadas. Em Itaperuçu, antes da atual Igreja Matriz em alvenaria, havia uma pequena Capela de madeira, denominada de São Pedro Apóstolo.

Não se sabe ao certo a sua data de construção. Mas, de acordo com moradores antigos, ela se encontrava no mesmo terreno da atual igreja, porém, um pouco mais a direita desta e mais próxima à rua (rua que tem como nome São Pedro).

A partir de 1927 começam a atender esta comunidade de Itaperuçu os Padres Freis Capuchinhos, que também assumiram as capelas de Nossa Senhora do Amparo de Votuverava, Assunguy de Cima e Almirante Tamandaré. Itaperuçu pertencia ao município de Rio Branco do Sul até o ano de 1990.

E é tradicional a festa a São Pedro Apóstolo em Itaperuçu, celebrada anualmente, tendo o dia 29 de junho como referência, existindo registros de que sempre foi festejada esta data.

Foi na década de 1950 que novos rumos irão tomar esta capela de madeira. A comissão da capela organiza "Livros Ouro" para a construção, primeiro de uma casa canônica em Itaperuçu, mas que acabou servindo para a arrecadação de fundos para a construção de uma nova capela, agora em alvenaria.

De acordo com os moradores antigos, as famílias católicas de Itaperuçu ficavam um determinado tempo com o "Livro Ouro" e saíam a pedir doações aonde iam, inclusive aos parentes de outras localidades, para poderem assim arracadar fundos para a construção da nova Igreja.

O primeiro "Livro Ouro" traz a data de 4 de abril de 1951, com aplausos e assinatura de Dom Manuel da Silveira D'Elboux e serviu para começar a campanha de construção da nova Igreja de Itaperuçu. O livro foi apresentado ao povo pelo Frei Donato, a cujos cuidados estava entregue a comunidade.


O ano de 1952 é a data de início da nova construção da atual Igreja Matriz de São Pedro Apóstolo, contando com o esforço das famílias que existiam nesta localidade. E que de acordo com o Livro Tombo desta comunidade, os empresários e as famílias que estavam a frente desta construção eram: Carlos Campmann, Astrogildo Macedo (empresários), e famílias Stocchero, Chevônica, Afornalli, Ortiz Camargo, Votkoski, Benato, Furquim, Sabadim, Gulin, Lesnioski, Abrão e muitas outras, depois cita a participação também das famílias Johnsson Bini e Giacomitti Cavassin.


Os pedreiros citados são: Antonio Costa, Heno Chevônica e Marcos Bontorim Polli. Alguns destes pedreiros vindos de Colombo eram alimentados pelas famílias locais. Os pais e filhos destas famílias dedicavam dias na semana para ajudar os pedreiros na construção.


Iniciada em 1952, a capela nova estaria coberta e já em atividade no seu interior, sendo realizadas as Missas, Celebrações e demais sacramentos no final do ano de 1958. Portanto, podemos dizer que o ano de 1958 é o ano da inauguração desta nova construção, que para a época foi uma grande obra, tornando-se um dos símbolos históricos do município de Itaperuçu. Levou, então, 7 anos para ser edificada.


Durante os anos de 1956 a 1960 atendeu a comunidade de Itaperuçu e toda a região o jovem Padre Frei Silvano Maria de Capinzal, ofm (Frei Adelino Lovatel), que também acompanhou a construção da nova Igreja de São Pedro Apóstolo de Itaperuçu.


No Livro Tombo consta que as obras continuam, em 1959 com despesas ainda com pedreiros e demais aquisições e em 1962 com a compra dos novos bancos de madeira da Igreja (bancos que serão substituídos somente no ano de 2011) e pagamentos de dívidas referente à construção.

Na década de 1970, atendia Itaperuçu Padre Frei José Govasky.

No dia 30 de maio de 1971 é ordenado sacerdote o Frei João Daniel Lovato, nascido em Itaperuçu. Sua primeira missa foi na capela de São Pedro Apóstolo no dia seguinte a sua ordenação ocorrida na Matriz de Nossa Senhora do Amparo, Rio Branco do Sul.

Desde o ano 1973, a Igreja de São Pedro Apóstolo de Itaperuçu, começou a ter Missa todos os domingos, pois o Padre Frei Beda Maria Toffanello começou a vir de Rio Branco do Sul, nessa ocasião, para atender aos católicos daqui. Frei Beda Maria em 1974 iniciou as obras da casa canônica que foi inaugurada no dia 28 de setembro de 1975, ocasião em que o Sr. Arcebispo Dom Pedro Fedalto veio benzer a casa canônica recém construída. Frei Beda, construtor, e o Frei Jerônimo Bontorin passaram a residir aqui em Itaperuçu, atendendo a região. Porém, Itaperuçu ainda não se tornou uma paróquia, ficando dependente da Paróquia de Nossa Senhora do Amparo, de Rio Branco do Sul.

Os Freis Capuchinhos que moraram e atenderam Itaperuçu a partir de 1975 foram:
Convite da inauguração da Casa canônica de Itaperuçu em 1975

Padre Frei Beda Maria Toffanello (1974-1979)

Padre Frei Jerônimo Bontorim

Padre Frei Valério Alessandro Marcchesini (1979)

Padre Frei Barnabé Ivo Tenani (1980)

Padre Frei Mateus Benedito Ribeiro da Silva (1980-1981)

Padre Frei Aurélio Possani (1982-1985) - Foi Frei Aurélio que iniciou o Livro Tombo da capela São Pedro Apóstolo.

Padre Frei Eugenio Nickelle (1986-1990) - Neste período foi adquirido um terreno e construído o Centro Social São Pedro de Itaperuçu, hoje local do Centro de Evangelização São Pedro Apóstolo - CESPA e Cenáculo.

Com a saída de Frei Eugênio Nickelle, os freis capuchinhos deixaram de morar na casa canônica em Itaperuçu, ficando apenas na Paróquia de Rio Branco do Sul. Atendia a comunidade Padre Frei Osmar Oliveira (1990).

Em 1991 vieram morar na casa canônica as Irmãs Catequistas Franciscanas. A primeira irmã religiosa a chegar foi Irmã Olga Tayoko Nakamura e algumas postulantes. Depois foram chegando outras irmãs e outras iam saindo. O nome delas são: Irmã Paulina Fusinato, Irmã Cláudia Ortigara, Irmã Marisa Scheid, Irmã Beatriz Lúcia Moratelli, Irmã Anna Dematté, Irmã Vitalina Trentim. As irmãs catequistas franciscanas ficaram em Itaperuçu até o ano de 1997.

Itaperuçu foi emancipado politicamente de Rio Branco do Sul no dia 10 de dezembro de 1990. Mas, no âmbito religioso continuava a pertencer a Paróquia Nossa Senhora do Amparo, de Rio Branco do Sul.

Continuaram a atender a comunidade de Itaperuçu:

Padre Frei Jorge Corsini (1991-1992)

Padre Frei Daniel Alves Castro (1993)

Em 1994 os Capuchinhos deixaram a Paróquia de Rio Branco do Sul. Assumiram então os Padres Diocesanos de Curitiba.

Entretanto, os primeiros foram dois padres da Diocese de Jacarezinho, Padre Francisco Valberto Marinho Barreto que assumiu como Pároco da Matriz de Nossa Senhora do Amparo e como vigário, atendendo Itaperuçu, Padre José Orlando Proença, ficando de 1994 a 1996, e residiam em Rio Branco do Sul. Vieram de outra diocese até que o Arcebispo de Curitiba Dom Pedro Fedalto pudesse nomear esta paróquia com Padres diocesanos de Curitiba.

No dia 28 de janeiro de 1996 foi então transformada em Paróquia todo o município de Itaperuçu, por Dom Pedro Fedalto, Arcebispo Metropolitano de Curitiba. A Capela de São Pedro Apóstolo transforma-se em Igreja Matriz, isto é, a Igreja mãe de todas as outras capelas existentes da nova paróquia. E na casa canônica veio morar o seu primeiro pároco, Padre Luiz Fernandes de Souza Filho (1996-2008), Padre diocesano de Curitiba, que atenderia as 31 comunidades da nova Paróquia.

No ano de 2000 foi realizado um reforma na Igreja Matriz de São Pedro Apóstolo, em comemoração aos dois mil anos do cristianismo. O altar foi totalmente reestruturado e com uma nova pintura. Além do átrio, refeito e todo cercado com um portal. Destruição de um antigo barracão ao lado da Igreja, para a construção de um bonito Centro Catequético, com Secretaria, sala de vídeo palestra, banheiros e salas de catequese.

Brasão da Paróquia São Pedro Apóstolo - Itaperuçu - PR

Igreja Matriz de São Pedro Apóstolo e Centro Catequético


No dia 10 de fevereiro de 2002 é ordenado Diácono Permanente Antemar José Alves, morador de Itaperuçu e líder religioso.

Em 21 de fevereiro de 2003 passa a residir em Itaperuçu Padre Emídio Lopes, atendendo como vigário paroquial até dezembro de 2010, quando é nomeado Pároco de Porto Amazonas, em 2011.

Nesse período inicia-se a construção do Centro de Evangelização São Pedro Apóstolo - CESPA e Cenáculo. Local com uma ampla cozinha, espaços para reuniões, dormitórios, banheiros e local de celebrações.

Centro Catequético ao lado da Igreja Matriz São Pedro Apóstolo - Itaperuçu - PR

Início da construção do Centro de Evangelização São Pedro Apóstolo - Itaperuçu - PR


No mês de dezembro de 2008, com a saída de Padre Luiz Fernandes após 12 anos como Paróco, assume interinamente a Paróquia o Diácono Permanente Antemar José Alves, até a posse do segundo Pároco.

Em 01 de fevereiro de 2009 assume como novo pároco, Padre Tadeu Camilo.

Em Janeiro de 2010 é lançado o Informativo Paroquial chamado O Pescador.
Capa do jornal O Pescador, Ano I, n.º 01, Jan/Fev de 2010

Em 30 de janeiro de 2011 assume como vigário paroquial o Padre Marcelo Alexandre da Silva Castro, ficando apenas até o mês de junho.

No dia 20 de fevereiro de 2011 é ordenado como Diácono Permanente Joelson Araszevski Ferreira, morador em Itaperuçu e líder religioso.

Em 26 de fevereiro de 2012 assume o 3º pároco, Padre Frei Valdir M. Borges, e continua como vigário, Padre Tadeu Camilo até o final do ano de 2012. Em janeiro de 2013 assume como vigário paroquial Frei Jorge M. Borges, irmão do pároco Frei Valdir.

Em 2014, Frei Valdir e Frei Jorge Borges são transferidos para a Paróquia Nossa Senhora Aparecida em Pinhais, PR.

Em 16 de fevereiro de 2014 foi empossado o 4º pároco de Itaperuçu, Padre Jesus Messias Galieta, por Dom José Mário Angonese, durante a Missa Paroquial de domingo, às 9h, no Cenáculo de Itaperuçu.

Padre Messias, Diácono Antemar e Diácono Joelson formam o novo clero paroquial a partir de 2014. No ano de 2019, em janeiro, assume como vigário paroquial, Padre Antônio Fabris. Padre Messias e Padre Antônio deixam Itaperuçu no final de janeiro de 2020, partindo para outras paróquias.

Em 08 de fevereiro de 2020 foi empossado o 5º pároco de Itaperuçu, Padre José Airton de Oliveira e vigário paroquial, Padre Lineu Prado, pelo Padre José Aparecido, representante do Arcebispo de Curitiba D. José Antonio Peruzzo.

Em 07 de agosto de 2021 foi empossado o 6º pároco de Itaperuçu, Padre Antônio Fabris, que recebeu a posse do Arcebispo D. José Antônio Peruzzo. Continua como vigário paroquial, Padre Lineu Prado e Diáconos permanentes, Antemar e Joelson.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Livros sobre a História do Brasil no século XIX

Acredito ser muito positivo como livros de divulgação da História do Brasil vêm tomando força e sendo lidos por nós brasileiros, em especial, por estudantes e professores e por possuírem grande circulação, chegando assim a muitas pessoas. 
Gostaria de salientar os livros de Laurentino Gomes. A partir destas leituras, cada leitor vai entendendo melhor seu país e aprofundando temas que vão lhe interessando. Para o meu caso, ajudando a pensar a história do Vale do Ribeira paranaense.
E gostei muito como o próprio autor destaca na frase de dedicatória no livro 1822: "A todos os professores de História do Brasil, no seu trabalho anônimo de explicar as raízes de um país sem memória". Enfim, como é fundamental ensinarmos a história de nosso país, as nossas raízes, as nossas memórias e a história de nossa região, de nossa família, a minha e a sua história.

Acabei lendo a seguinte edição: GOMES, Laurentino. 1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. 3ª ed. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2009.

Acabei lendo a seguinte edição: GOMES, Laurentino. 1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil, um país que tinha tudo para dar errado. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.

 

E acabei lendo: GOMES, Laurentino. Escravidão: do primeiro leilão de cativos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares, volume 1. 1ª ed. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2019. Inclusive com dedicatória do próprio autor e sendo um presente do Professor de História Marcelo Fitz, meu amigo.

Também destaco o livro de Patrick Wilcken, Império a deriva. A Corte Portuguesa no Rio de Janeiro, 1808-1821, tradução Vera Ribeiro, Rio de Janeiro, Objetiva, 2010. O autor é um australiano radicado em Londres e que passou longos períodos no Rio de Janeiro. Estar no Brasil certamente fez com que Patrick Wilcken se encantasse com a nossa história para assim realizar esta interessante pesquisa sobre um período crucial de nossa formação. A capa é parte de um quadro de Jean-Baptiste Debret, que retratou o Brasil no século XIX, de uma família senhorial no Rio de Janeiro.

Outra história do século XIX é a biografia da Condessa de Barral (Luísa Margarida Portugal e Barros), baiana, filha de um senhor de engenho que proporcionou educação para seus filhos. Livro escrito por Mary Del Priore e publicado também pela Objetiva. Biografias também são importantes para entendermos contextos históricos e, para este caso, a interessante vida de Luísa.

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Literatura e Sociologia

Certamente podemos compreender melhor a sociedade em que vivemos, ou uma outra cultura, através da literatura. Da mesma forma, a Sociologia, enquanto ciência, utilizando de metodologias, conceitos e teorias, nos ajuda a entender o mundo social da qual fazemos parte.

Assim, Literatura e Sociologia, portanto, podem ser complementares.

Quando terminei a leitura de "Caminhos cruzados", de Erico Verissimo, foi possível pensar nas diferentes condições sociais narradas pelo autor, através de seus diferentes personagens, isso devido a fatos sociais que os envolvem, num curto espaço de tempo de cinco dias (sábado, domingo, segunda, terça e quarta-feira), e na qual seus caminhos se cruzam, apesar das diferenças sociais e culturais, e a partir da grande cidade de Porto Alegre, na década de 1930 (o livro foi publicado em 1934). 

As diferentes condições sociais dos personagens do romance, nos fazem pensar em nossa condição social real, em nossa história cotidiana, por exemplo, no que pode nos acontecer ou o que podemos fazer num espaço de cinco dias, a partir da realidade que estamos inseridos. Da mesma forma, podemos pensar no que pode acontecer, em cinco dias, com os jovens sem emprego e drogados que passam pela minha rua diariamente; das famílias pobres e trabalhadoras do bairro;  da senhora aposentada que vive de um salário mínimo com sua filha trabalhadora; do clérigo da igreja; do casal que enriqueceu com seus negócios imobiliários, e tudo isso, numa mesma cidade; e ainda, o que cada um de nós irá ler, assistir e aprender; e, igualmente, estamos constantemente nos encontrando, uns aos outros, em atividades religiosas, nas escolas, no trânsito, na associação, numa festa, pelo trabalho, pela prestação de serviços, no comércio, e mesmo pela violência, enfim, os "caminhos cruzados", a que Erico Verissimo nomeia seu romance.

Voltando à Sociologia e sua relação com "Caminhos cruzados": como não observar as classes sociais, em termos econômicos, e suas possibilidades materiais de vida; a questão de gênero, em especial, o papel da mulher na sociedade da década de 1930; a questão moral, do comportamento, da alegria e tristeza, independente da fartura ou miséria; da questão cultural em cada família; do acesso à cultura erudita; entre tantos outros conceitos. Enfim, as relações sociais acontecem e estabelecem conexões, formando um todo. Quanto mais ciente destas conectividades, de suas possibilidades, de minhas possibilidades, melhor entendo o mundo social da qual estou inserido.

Enfim, como professor de Sociologia (no romance existe um personagem professor - não gostaria de ser como ele), procuro pensar como utilizar de um livro interessantíssimo, como "Caminhos cruzados" e sua história fictícia, com a realidade da qual estamos inseridos e que precisamos compreender melhor e, igualmente, utilizando dos conceitos sociológicos.

Historicamente, também, é possível pensar como foi a vida na década de 1930 nas diferentes cidades brasileiras, como Curitiba, como Itaperuçu, com seus personagens reais, em suas angústias e conquistas, em suas possibilidades culturais, com seus bens materiais etc.

Referência Bibliográfica:

VERISSIMO, Erico. Caminhos cruzados; ensaio introdutório de Mozart Pereira Soares. 21ª ed. Porto Alegre, Globo, 1978.

Viva o povo brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro

O presente texto deu origem a dois trabalhos, que foram apresentados no: 20º Congresso Brasileiros de Sociologia, como título: "A metodologia de pesquisa genealogia social utilizada na Sociologia e presente na Literatura" (2021), e no XII Seminário de Pesquisa - Teoria Literária, da Uniandrade, com o título: "A genealogia na Literatura e sua relação com a Sociologia" (2020).


Gostaria de compartilhar algumas impressões sobre o romance de João Ubaldo Ribeiro, Viva o povo brasileiro, publicado em 1984, período histórico de véspera do fim da ditadura militar no Brasil.

Destaco a interessante mistura de fatos históricos com o desenrolar da vida dos personagens criados por João Ubaldo Ribeiro. Por exemplo, a presença holandesa na Bahia no século XVII, o regime senhorial, as fazendas e a pérfida escravidão, os indígenas, os reis portugueses, a Igreja católica e os padres, as reduções jesuíticas e sua expulsão em 1759, o Marquês de Pombal, a Independência do Brasil, 1822, a visita do Imperador D. Pedro I e a Imperatriz Leopoldina na Bahia em março de 1826, sendo que em dezembro Leopoldina vem a falecer (viagem fatídica para Leopoldina, em especial pela presença da Titília no mesmo barco e, logo em outubro, ela recebe o título de Marquesa de Santos); o período regencial e suas revoltas, como a revolta dos malês, em Salvador, Bahia, 1835 (revolta que merece muita atenção no romance), a Sabinada (1837-1838, também na Bahia), a guerra dos Farrapos, 1835 a 1845, a maioridade de D. Pedro II, a guerra do Paraguai, 1864 a 1870, a guerra de Canudos, 1896 a 1897; (enfim, as revoltas citadas têm um aspecto central no desenvolvimento do romance), sobre o exército brasileiro, a proclamação da República, 1889, a era Vargas e a ditadura civil-militar; entre tantos outros fatos que o leitor pode encontrar, em especial a partir do local em que é ambientado a trama, na ilha de Itaparica, Bahia (ilha que também foi palco de uma das batalhas da independência, em janeiro de 1823). 
Como visto, o romance perpassa um longo período da história brasileira, entre os séculos XVII ao XX e a consequente formação do povo brasileiro. E, o paradoxo, do o povo brasileiro a sobreviver e a viver, por vezes, independente desses "grandes acontecimentos", como se não fizesse parte desta história oficial ou dela se enquadrasse, em especial quando derrotados.
Mas, o que gostaria de destacar é a questão genealógica presente no romance. A genealogia é fundamental para se compreender a longa história dos personagens e, portanto, do próprio Brasil.
Destaca-se a genealogia da ampla família brasileira do "Caboco Capiroba", filho de mãe índia e pai preto fugido que a aldeia acolheu; Capiroba é comedor de carne branca, em especial, holandês, de muitas mulheres e muitas filhas, capturado e morto na ilha de Itaparica, Bahia, em 1647, por fugir da redução e por insubordinação. Sua filha mais velha, Vu, que cuidava de um prisioneiro do pai, o holandês Heike Zernike, denominado Sinique, fica grávida do mesmo. Em 1721 nasce Dadinha, que viverá 100 anos, gangana, sua mãe foi vendida antes de desmamar, seu pai era negro, escravo, baleneiro, tinha os olhos claros, morreu no seu nascimento, provável filho de Sinique e Vu. Dadinha, bisneta do Caboco Capiroba, tem um filho temporão, Turíbio Cafubá, que tem muitos filhos e com muitas mulheres. Este filho temporão, provavelmente, teria como pai o negro Darissa da Bissínia, chegado entre 1770 ou 80, também insubordinado. Turíbio e Roxinha vão ter a filha Vevé, ou Daê ou Naê, chamada de Venância, menina linda, com a marca de estrela na testa, marca da família a gerações, estuprada pelo barão de Pirapuama, Perilo Ambrósio Góes Farinha, dono de fazendas e escravos em Itaparica, seu dono. Nasce Maria da Fé ou Dafé que, posteriormente, vê a mãe morrer por ter de defendê-la de estupro. Maria da Fé foi criada pelo negro Leléu (Leovigildo), que possui negócio próprio, dá educação a Maria em Salvador. Maria revolta-se com a vida, com o sistema, e se torna líder de um bando no século XIX, perseguida pelo governo, mito entre o povo, insubordinada, e tem um caso com o coronel do Exército, Patrício Macário, da qual nasce o filho Lourenço que continua as lutas sociais da mãe.
Enfim, a genealogia do povo brasileiro, sofrido, sem sobrenome, a superar as mazelas que lhes são impostas por uma elite econômica e intelectual extremamente preconceituosa. Mas, de uma força incrível.
Daí, paralelamente, a genealogia de Amleto Ferreira, o filho da negra professora Jesuína Ferreira (preceptora de Dafé) e do inglês John ou Henrique; Amleto era guarda-livros do barão de Pirapuama, enriquece com o seu trabalho e suas trapaças nos negócios; Amleto, mestiço, poderia ter sido o elemento novo na história brasileira (inclusive ele vê a força de sua gente), mas infelizmente prefere repetir os preconceitos e as atitudes racistas da elite escravocrata, prefere ser "branco", e compra um sobrenome, digno de sua origem: Amleto Henrique Nobre Ferreira-Dutton, quer embranquecer; é o novo sobrenome da família; e ele tem no casamento e no compadrio com os ricos, os elementos chaves para sua ascensão social e de seus filhos; e sua família rica chega ao século XX, muda-se para o Rio de Janeiro e para São Paulo, mas com os mesmos preconceitos do século anterior, e registrando sua genealogia orgulhosamente em livro (mas, adaptando a genealogia a seus interesses).
Exceção ao centenário filho de Amleto, Patrício Macário, coronel do Exército, falecido em Itaparica em 1939, guardião da Canastra, dos segredos da Irmandade, do Espírito do Homem, amante de Dafé e da comida baiana, aberto ao conhecimento que vem do povo brasileiro.
Enfim, tantas outras histórias maravilhosas ao longo do livro e que proporcionam reflexões para que possamos nos entender enquanto brasileiros e sermos menos preconceituosos. E a olhar para a nossa história a partir de seus personagens. De encontrar nossa genealogia. E cuidar ou admirar a mariposa curuquerê que de repente pousa em cada um de nós.
Por Alessandro Cavassin Alves

Referência
RIBEIRO, João Ubaldo. Viva o povo brasileiro. 5ªed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. Edição de bolso, 790 p.