domingo, 18 de março de 2012

Votantes de Itaperuçu em 1853

Lista de votantes qualificados da Paróquia de Curitiba, Quarteirão de TAPERUÇU, 26/jan/1853, p.22
Lista de votantes qualificados da Paróquia de Curitiba, Quarteirão de TAPERUÇU, 26/jan/1853, p.23

Fonte: Lista geral de votantes qualificados pela junta da Paróquia de Curitiba, em 26 de janeiro de 1853. Arquivo Público do Paraná.

Votantes do Quarteirão de TAPERUÇU
Nº
Nome
Idade
Estado
Profissão
1293
Antonio João
27
Solteiro
Lavrador
1294
Antonio Marno de Miró
26
Casado
Lavrador
1295
Antonio Ribeiro
45
Casado
Lavrador
1296
Francisco João de Faria
55
Solteiro
Lavrador
1297
Francisco das Chagas
43
Casado
Lavrador
1298
Francisco dos Santos Cordeiro
44
Casado
Lavrador
1299
Francisco Lanhoso
34
Casado
Lavrador
1300
Fortunato da Cruz
34
Casado
Lavrador
1301
Francisco das Chagas S. Paio
46
Casado
Lavrador
1302
Francisco Antonio ??????
44
Casado
Lavrador
1303
Francisco Ribeiro
39
Casado
Lavrador
1304
Isaias Ribeiro
27
Casado
Lavrador
1305
João Antonio Lanhoso
56
Casado
Lavrador
1306
Je. (José) Gonçalves
44
Casado
Lavrador
1307
Je. (José) Berlintes de Castro
37
Casado
Lavrador
1308
Je. (José) Ribeiro
30
Solteiro
Lavrador
1309
Je. (José) Antonio Lanhoso
57
Casado
Lavrador
1310
João Lanhoso
25
Solteiro
Lavrador
1311
Je. (José) Marcelº S. Paio
27
Solteiro
Lavrador
1312
Joaquim Marno de Brito
43
Casado
Lavrador
1313
Joaquim dos Santos Sabino
25
Solteiro
Lavrador
1314
Joaquim de Santa Anna
25
Casado
Lavrador
1315
Joaquim de Lima Cardoso
33
Solteiro
Lavrador
1316
Joaquim de Faria Sant’Ago
23
Solteiro
Lavrador
1317
Manoel João dos Santos
34
Solteiro
Lavrador
1318
Manoel da Veiga
29
Casado
Lavrador
1319
Manoel das Dores
32
Solteiro
Lavrador
1320
Manoel Ortis de Camargo
25
Solteiro
Lavrador
1321
Manoel Antonio dos Santos
27
Casado
Lavrador
1322
Roque dos Santos Cardoso
53
Solteiro
Lavrador
1323
Raphael Franco
43
Casado
Lavrador
1324
Salvador Ribeiro
30
Solteiro
Lavrador
1325
Salvador Lanhoso
27
Solteiro
Lavrador
1326
Salvador da Veiga
57
Casado
Lavrador
Fonte: Lista geral de votantes qualificados pela junta da Paróquia de Curitiba, em 26 de janeiro de 1853. Arquivo Público do Paraná (transcrição do documento original acima).

Este documento demonstra que na localidade de TAPERUÇU havia 34 votantes no ano de 1853. Para ser votante na época do Império brasileiro era necessário comprovar ser possuidor de bens e rendas. Estas pessoas eram possuidores de terras, tendo como profissão Lavrador. Os votantes escolhiam os vereadores e juiz de paz da localidade a que pertenciam. E ainda, os votantes escolhiam os eleitores, que deveriam depois votar nos deputados provincial e geral e também senador, quando necessário.
Taperuçu pertencia ao município de Curitiba. Com a criação do município de Votuverava, pela Lei n.º 262, de 3 de abril de 1871, a localidade de Taperuçu passou a pertencer a esta nova Vila.
Votuverava, na lista de votantes qualificados de 1853, possuia os seguintes quarteirões:
Quarteirão de TAPERUÇU, Quarteirão do ASSUNGUI, Quarteirão da PIEDADE, Quarteirão do CAMPINHO, Quarteirão do LIMOEIRO, Quarteirão do ITOUPAVA, Quarteirão do GUARAIPOS, Quarteirão da CAMPINA e Quarteirão de VOTUVERAVA.

Este documento tem por objetivo repensar a história dos municípios do Vale do Ribeira paranaense e demonstrar como é antiga a povoação nestas localidades, que hoje formam os municípios de Itaperuçu, Rio Branco do Sul, Cerro Azul, Doutor Ulysses, Bocaiúva do Sul, entre outros.


sábado, 19 de junho de 2010

Gruta de Itaperuçu

Por Celso Lima:


Já em 1875, esta gruta foi visitada pelo Engº Luis Parigot em companhia do Presidente da Província Dr. Adolpho Lamenha Lins. Em 1885, o Doutor Alfredo D'Escragnolle Taunay, então Presidente do Paraná, visitou a gruta de Tapirussú, em companhia de cerca de trinta pessoas. Dessa visita registrou em diário o seguinte:


"Foi a 10 de dezembro de 1885 que visitei essa gruta ainda mal conhecida e imperfeitamente explorada e sita no município de Votuverava umas 61/2 léguas de Curityba a rumo N. e N.E. É larga a entrada e dá em rampa, a cuja base corre com estrépito e por entre grossas pedras soltas um riacho de águas sobremaneiras frias e claras. Desde logo se faz completa escuridão. Accesos archotes e velas, vê-se uma abóbada irregular e a distillar humildade, toda revestida de alvíssima camada calcária. O visitante, pulando com alguns riscos, de pedra em pedra, já se abaixando e quase de cócoras, já se agarrando a proeminências escabrosas, algumas até cortantes, a subir sempre e deixando à direita e à esquerda galerias, chega ao segundo pavimento e penetra em sala não muito espaçosa mas em que o agrupamento concrecionário e a disposição das stalactites, sobretudo, são em extremo notáveis, figurando vários objetos e marmofactos, que a imaginaçaão popular foi denominado por aproximações mais ou menos exactas e felizes e que a luz artificial reveste de inúmeros pontos scintillantes do mais bello effeito scênico. Na visita que fiz a Gruta de Tapirussú, acompanhado de umas vinte e cinco a trinta pessoas, ninguém passou além, mesmo porque um dos cavalleiros da comitiva, buscando caminhar sem vela e mais depressa do que convinha, escorregou e cahio em uma espécie de sumidouro de talvez quatro metros de altura. Felizmente não perdeu o sangue frio; foi-se amparando com as mãos, agarrando-se às pontas das stalactites que pôde alcançar e só se magoou nas costas, isso mesmo levemente. Foi parar, mais rapidamenete do que desejava, à sala debaixo e rolou ao lado do Dr. Ermelino de Leão, que preocupado só com o exame que estava fazendo de umas concreções, lhe disse distrahidamente; "Já sei que me traz o martelo. "- Qual martelo, qual nada. O diabo leve a gruta, martelo e vocês todos". Bradou o outro a soltar engraçados gemidos de dor e maldições."


Fonte: Chorografia do Paraná - Prof. Sebastião Paraná - 1888



Por Alessandro Cavassin Alves


No livro de Nestor Vitor, A TERRA DO FUTURO (Impressões do Paraná). Organização Cassiana Lacerda Caroldo. Farol do Saber, Curitiba, 1996. Publicado originalmente em 1912, no item sobre as belezas naturais do Paraná, destaca a gruta de Tapiruçu. GRUTA DE TAPIRUÇU – “nos bancos calcários que jazem entre o norte e o nordeste de Curitiba, a seis léguas da estrada de rodagem do Assungui. Desde o chamada Vestíbulo, - um pequeno compartimento frouxamente alumiado por tênue réstia de luz puxando a verde, já é muito interessante. O Dr. Monteiro Tourinho, descrevendo a gruta, diz que as particularidades arquitetônicas desta parte da mesma fazem imaginar-se a capela gótica de um mosteiro, quanto, a horas mortas, prestam-se os derradeiros sufrágios a alguns monges. Por escabrosa viela, inçada de agudas estalagmites, passa-se do Vestíbulo para o Salão. Este é uma sala abobada, que sustentam grossas pilastras translúcidas como alabastro, o que a torna semelhante às salas do rés do chão nos antigos castelos feudais. Num canto mana a Fonte Misteriosa, de águas puras e cristalinas. Daí, por uma abertura circular, tem-se passagem par o segundo pavimento da gruta. O caminho é íngreme e tão baixo que só rastros de pode atravessa-lo. Chega-se à Nave. Nesta diz o mesmo Dr. Tourinho que se fica sob o pleno domínio da arquitetura ogival: arrojamento de arcadas, na maneira que caracteriza aquele estilo, e de colunatas em que predominam as linhas verticais sobre as horizontais, severidade de formas, profusão e suntuosidade de ornatos, e esculturas que parecem simbólicas. Aqui como que se eleva um altar, ali nichos com imagens, acolá um púlpito e mais além um grande órgão de tubos prateados. Ao sair da Nave, topa-se uma enorme estalagmite com a figura de um monstro atediluviano; mais adiante, as luzes que se levam projetando-se as estalagmites, produzem surpreendentes efeitos ilusionistas: dá-se outro passo, transformam-se os frades em sátiros; chega-se mais perto e só se vê um incongruente acervo de rochas e toscas saliências tronco-cônicas e cilíndricas. Segundo o Visconde de Taunay, que visitou esta gruta de Tapiruçu, ainda há nela um terceiro pavimento; mas tão empinada é a rampa, as paredes tão juntas e apertadas, o teto tão forrado de agudas pontas e agulhas, sendo além do mais tão resvaladio o solo, que raros se arriscam à perigosa tentativa, muito embora, conforme se diz, essa última sala, a que se chega depois de certa subida, seja ainda mais curiosa e bela do que todas as outras”. (pág. 242-243).



E ainda,uma referência a gruta de Taperussu por Joaquim José Carvalho em 1908:


“Se a Grécia zela a sua Antiparos, se a Bélgica encanta-se com a sua Han-sur-Lesse, se a França deleita-se com a das Moças e a de Osselle, se os Estados Unidos afamam-se com a Mammouth no Kentucky e a de Alabastro na Califórnia nenhuma dessas excede as prodigiosas fabricas, os rememoráveis encantos da nossa Taperussú no Paraná, da do Inferno em Mato Grosso, e da Isabel, no município de Bananal, ao norte do Estado de S. Paulo (...)” (p.4). “Nos bancos calcareos disseminados pelo nordeste de Curitiba, entre muitas e notáveis grutas de estalactites, nota-se a já referida de Taperussú pelo ilustre engenheiro Luis Parigot visitada, descrita e desenhada em 1875, há 32 anos quase, sem contudo ficar nem ter sido até hoje inteira e completamente explorada, (...)” (p.5). In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, volume XII, 1907 São Paulo, Typ. Do diário oficial, 1908. . A Gruta Isabel. Pelo sr. dr. Joaquim José de Carvalho.